A Soberania da Força Vital comparada à sopa de moléculas cientificistas.

Algumas escolas filosóficas, entre elas a Homeopatia, têm uma visão em comum, acerca do binômio doença/saúde, bem como do próprio fenômeno da vida.

A Homeopatia se baseia em 3 pontos fundamentais para se estruturar, a Filosofia, a Doutrina e o Conselho; enquanto Filosofia, se ocupa de entender a origem da enfermidade no ser humano; enquanto Doutrina prega, com clareza, os passos necessários para se evitar o adoecimento e, na dimensão do Conselho, traz ao homem os passos para recuperar sua saúde quando alterada.

A Homeopatia está fundamentada numa concepção Vitalista do ser humano.

Nesta concepção, o Homem é uma entidade trinária, , composta de uma parte sólida ao tato que é o corpo físico guiado por um princípio pensante ao qual denomina Espírito (dotado de 2 atributos, que são a Razão e o Arbítrio ou, se preferirem, a Consciência e a Vontade), que determina o que este corpo físico vai fazer, mas para que este possa atuar, existe um terceiro componente que anima o corpo material, isto é, lhe dá “a vida”, e por isso é chamada de Força Vital (FV) ou Energia Vital.

José Roberto Campos de Souza ¹

Data da publicação: 19 de Março de 2025.

Essa FV é a responsável pela formação, desenvolvimento e regeneração de todas as partes do organismo.

Ao contrário de uma visão evolucionária da existência, deixa claro que existe uma inteligência que a precede, que a condiciona, que a limita, dentro de um projeto maior, que escapa a uma abordagem mecanicista dos fenômenos vitais, e ela recebe diferentes nomes; é o Chi dos Chineses, o Prana dos Hindus, o Ki da Macrobiótica, o L´universion de George Lakhovski, a Força Ódica do Barão Von Reichenbach, etc e cada escola a aborda segundo a sua visão particular dos fenômenos existenciais.

A Homeopatia tem um livro que contempla todos os seus princípios e fundamentos, intitulado “Organon da arte de curar”, estruturado em parágrafos. A seguir, coloco 2 dos parágrafos que falam a respeito desse assunto:

§ 9 - NO ESTADO DE SAÚDE DO HOMEM, A ENERGIA VITAL IMATERIAL, A DINAMIS QUE ANIMA O CORPO MATERIAL, REINA (SOBERANA) DE MODO ABSOLUTO (AUTOCRÁTICA) E MANTÉM TODAS AS PARTES DO ORGANISMO EM UMA ADMIRÁVEL E HARMONIOSA ATIVIDADE VITAL, TANTO EM SUAS SENSAÇÕES COMO EM SUAS FUNÇÕES, DE TAL MANEIRA QUE O ESPÍRITO DOTADO DE RAZÃO QUE HABITA ESSE ORGANISMO, POSSA DISPOR LIVREMENTE DESSE INSTRUMENTO VIVO E SÃO, PARA ALCANÇAR OS MAIS ALTOS FINS DA SUA EXISTÊNCIA.

§ 10 - SEM A FORÇA VITAL, O ORGANISMO MATERIAL É INCAPAZ DE SENTIR, FUNCIONAR E DE ATENDER À SUA PRÓPRIA CONSERVAÇÃO; OBTÉM TODAS AS SUAS SENSAÇÕES E CUMPRE TODAS AS SUAS FUNÇÕES VITAIS SOMENTE POR MEIO DO SER IMATERIAL (O PRINCÍPIO VITAL) QUE ANIMA O ORGANISMO MATERIAL NO ESTADO DE SAÚDE E DE ENFERMIDADE.

Longe de ser um fundamento exotérico ou “fosfórico”, a presença dessa FV é eloquente na medicina. Quando fazemos um ECG ou EEG, aqueles “riscos” no papel, são a representação gráfica da atividade elétrica responsável pelo funcionamento do coração ou do cérebro.

Os Russos se deram ao trabalho de pesar moribundos e constataram que no momento da morte o corpo perdia, em média, 23 gr (há, até, um filme intitulado “21 gramas” que aborda isso) e, em função disso alguns dizem ser “o peso do espírito”, mas na verdade o espírito não tem peso, o que se dissipa e se separa do corpo é a própria FV.

Todas as nossas funções são reguladas pela atividade dessa FV onipresente no organismo.

Durante séculos a existência dessa FV não pode ser comprovada, mas hoje não há como negá-la, embora ela não tenha a menor importância para uma medicina voltada para a doença e o lucro, uma vez que ao se colocar essa concepção para o pensamento médico, faz-se ruir a estrutura do complexo médico-farmacêutico, voltado para o lucro.

Um médico, Dr. Harold Saxton-Burr, titular de anatomia em Yale, usou voltímetros para medir o que ele chamou de “Life Fields”, que eu traduzo livremente como “Campos Vitais”.

O dr. Burr, em um experimento inicial, notou que no início do desenvolvimento do embrião, após o espermatozoide se juntar ao óvulo e formar a “célula-ovo”, que passa a se dividir e multiplicar, existe uma fase em que todas as células são iguais entre si, indiferenciadas e toti potenciais, isto é, podem se transformar em qualquer outra célula.

Em dado momento, sem uma causa visível, algumas células começam a se diferenciar e se tornam um sistema nervoso primitivo. Da mesma forma, em diferentes momentos, algumas dessas células indiferenciadas se transformam em diferentes órgãos, sempre na mesma sequência em todos os embriões e em todas as espécies.

Acreditar que esse fenômeno é fruto do acaso é um atestado de ignorância…

O dr Burr, usando voltímetros, notou que nesta fase de “mórula” onde todas as células são indiferenciadas, o campo eletromagnético é homogêneo em torno da mórula.

Em certo momento se forma uma diferença de potencial entre 2 polos, como se fosse uma “corrente elétrica” entre eles e ali, ao longo daquele eixo, as células começam a se modificar, transformando-se em células nervosas. Depois, em todo o desenvolvimento, as mudanças do embrião são precedidas, moldadas e controladas por modificações desse campo eletromagnético, fruto da FV, como se fosse uma planta ou um projeto que precede a construção do edifício.

A constatação da existência desse fenômeno físico deixa claro que os demais fenômenos da vida estão dentro de um projeto, um plano que os precede.

No prefácio do livro Blueprint for immortality do dr. H.S. Burr reza algo assim: “O universo no qual nos encontramos e do qual não podemos ser separados é um lugar de lei e de ordem. Ele não é um acidente ou um caos. Ele é organizado e mantido por um campo eletromagnético capaz de determinar a posição e o movimento de todas as partículas carregadas”.

Depois, no primeiro capítulo, “Uma aventura na ciência”, diz: “Vivemos em tempos difíceis e conturbados. Em muitas partes do mundo há revoltas, protestos, crimes e ilegalidades em erupção incessante. E sobre toda esta era paira a espada de Dâmocles de uma possível destruição nuclear. Mais e mais pessoas se perguntam, melancolicamente, se a vida tem algum sentido ou objetivo.

Muitos são tentados a acreditar que o homem é um acidente, deixado para lutar com seu destino solitário em um planeta insignificante, em um universo severo e sem lei. Numa idade materialista e científica muitos acham difícil acreditar naquelas crenças religiosas que sustentaram seus antepassados em tempos que, para eles, pareciam tão problemáticos e perigosos como o presente.

Eles gostariam de acreditar que o homem não é um acidente e que o universo no qual ele vive é um lugar de lei, ordem e objetivo. Mas deslumbrados pelos métodos e triunfos da ciência, eles não estão dispostos a aceitar nada como verdade; eles exigem uma prova ou evidência “científica”. Até há alguns anos essa demanda não podia ser atendida porque os instrumentos e técnicas eletrônicas necessárias não tinham sido desenvolvidas.

Quando isso se tornou possível, no entanto, uma abordagem inteiramente nova para a natureza do homem e do seu lugar no Universo se tornou possível, pois estes instrumentos revelaram que o homem – e, de fato, todas as formas são ordenadas e controladas por campos eletrodinâmicos que podem ser medidos e mapeados com precisão. Embora bem mais complicados os “campos vitais” são da mesma natureza que os campos mais simples conhecidos da moderna física e obedientes às mesmas leis.

Como os campos da física eles são parte da organização do universo e são influenciados pelas vastas forças do espaço. Como os campos da física, também, eles têm qualidades de organização e direção que tem sido reveladas em centenas de experiências.

Organização e direção, o oposto exato de acaso, resultam em objetivo. Então os campos vitais oferecem uma evidencia puramente eletrônica e instrumental, de que o homem não é um acidente. Ao contrário, ele é parte integral do cosmos, embebido em seus campos todo-poderosos, submetido às suas inflexíveis leis e um participante no destino e no objetivo do universo” (grifos meus)

O dr. Burr publicou inúmeros trabalhos e todos eles evidenciam um aspecto em comum: todas as doenças são precedidas por alterações dos tais “campos vitais”, ou seja, da nossa “Força Vital”.

Os pais da Homeopatia, ao discorrerem sobre a FV, usam alguns sinônimos, como “Energia Vital”, “Princípio Vital” ou, ainda “Substância Simples” e descrevem seus atributos ou qualidades, dos quais destaco alguns.

A Força Vital é INATA, ou seja, nasce conosco e está presente desde a fecundação, adquirindo uma “identidade” própria a partir da união do óvulo com o espermatozoide.

(Aliás, o óvulo “escolhe” o espermatozoide que vai fecunda-lo, não é casual). Não tem quantidade, apenas QUALIDADE ou seja, não é como uma bateria que perde sua carga aos poucos, mas pode estar menos ou mais equilibrada. É INTELIGENTE e tem capacidades de FORMAÇÃO e REGENERAÇÃO.

Outro atributo é que ela é SOBERANA e AUTOCRÁTICA, isto é, governa as funções do corpo de modo absoluto. Todos esses atributos levam a uma reflexão de que a nossa existência, enquanto pessoas, precede a nossa própria manifestação neste plano físico. Existe uma inteligência que nos precede...

Uma outra derivação desse conceito, de um corpo físico, animado por essa Força Vital e guiado por um princípio pensante – o espírito – que é quem determina o que aquele instrumento de sua manifestação (o corpo material) vai fazer e como vai agir, nos leva a outro ponto de reflexão, que é a origem do desequilíbrio desta Força Vital e, por consequência, a origem das enfermidades.

Aqui entramos no domínio da Filosofia Homeopática, onde nos é ensinado o elementar. Esse princípio pensante, o Espírito, tem 2 qualidades: a Razão e o Arbítrio ou, se quiserem, a Consciência e a Vontade.

Dessa forma o homem nasce livre e É livre, pela sua condição de espírito encarnado. Liberdade, o homem não a conquista, ele apenas a perde quando ele mesmo se deixa escravizar, seja pelo dinheiro, pelo sexo, pelo poder, pela religião ou pelas drogas.

O trabalho da consciência é o de cada um perceber o que o escraviza, quais as correntes que ele mesmo se permitiu colocar, para se libertar delas e reconquistar a liberdade que sempre foi sua.

Na concepção vitalista que abraçamos, o desequilíbrio primário da Força vital decorre da desarmonia entre o entendimento e a vontade, (ou entre a consciência e a vontade) segundo os autores clássicos de nossa arte de curar. Ou seja, a consciência mostra o caminho correto, mas a vontade indica uma outra conduta.

Quando a pessoa fecha os ouvidos para a voz da consciência, seguindo as tentações da vontade, contraria a lei natural da evolução, e desequilibra a Força Vital que, uma vez alterada, se manifesta através de sintomas. Quanto mais a pessoa age contra as leis naturais (o conceito do “pecado”), mais aprofunda o desequilíbrio da FV e mais predisposto ao adoecimento ele se torna.

Isso tudo nos leva a uma conclusão de que a enfermidade não é “material”, embora possa se manifestar também na matéria, no final de sua evolução. A verdadeira enfermidade é a energética ou “espiritual”, ou seja, aquela que é “não-material”.

Dessa maneira, no ambiente deste fórum, podemos fazer algumas inferências, olhando o pano de fundo deste fundamento da Força Vital: nós SOMOS um “EU-PENSANTE” (o Espírito) que exterioriza sua presença através da FV, isto é, a FV é uma manifestação externa deste princípio que a precede e do qual deriva, para criar, manter ou regenerar o ambiente físico – o corpo – onde pode se manifestar e do qual se utiliza para seu processo de evolução.

Interessante observar que o corpo físico é uma manifestação sólida deste fundamento que o gera. Assim, as dismorfias corporais são exteriorizações deste desequilíbrio interno que o antecede e o modela. Um corpo dismórfico ou obeso, p. ex, é a expressão do desequilíbrio daquela Força Vital, do qual ele é o resultado.

Neste exemplo podemos ver, cristalinamente, o descompasso entre a consciência – que diz que devemos cuidar do corpo que nos foi emprestado, este instrumento de manifestação do espírito que o habita – e a vontade infantil de fazer ou comer apenas o que lhe é agradável, fechando os olhos para as consequências, fazendo ouvidos de mercador para a lei do plantio e da colheita.

No mesmo sentido, quanto mais se desobedece aos ditames da consciência, atendendo aos ditames da vontade, mais se aprofunda o desequilíbrio da Força Vital e, como consequência, acentuam-se os problemas e agravam-se as enfermidades.

“As grandes verdades estão enterradas, mas não tão profundamente que não possam ser encontradas por alguém com boa vontade”. Li uma frase parecida com esta, há muitos anos e não sei o autor. Entretanto a validade dessa afirmação é inconteste e podemos ver que a verdade é universal, variando apenas em sua apresentação, conforme a época e a cultura.

Na Carta de Paulo aos Romanos vemos o paralelismo entre esse paradigma homeopático e o pensamento Cristão, conforme os versículos de 14 a 25:

A força do pecado —

14 Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou humano e fraco, vendido como escravo ao pecado.

15 Não consigo entender nem mesmo o que eu faço; pois não faço aquilo que eu quero, mas aquilo que mais detesto.

16 Ora, se eu faço o que não quero, reconheço que a Lei é boa;

17 portanto, não sou eu que faço, mas é o pecado que mora em mim.

18 Sei que o bem não mora em mim, isto é, em meus instintos egoístas. O querer o bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo.

19 Não faço o bem que quero, e sim o mal que não quero.

20 Ora, se faço aquilo que não quero, não sou eu que o faço, mas é o pecado que mora em mim.

21 Assim, encontro em mim esta lei: quando quero fazer o bem, acabo encontrando o mal.

22 No meu íntimo, eu amo a lei de Deus;

23 Mas percebo em meus membros outra lei que luta contra a lei da minha razão e que me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros.

24 Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte?

25 Sejam dadas graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, pela razão eu sirvo à lei de Deus, mas pelos instintos egoístas sirvo à lei do pecado.

Esse paradigma coloca sobre nossos ombros a responsabilidade sobre a nossa existência, por deixar claro que nossa vida será pautada pelas escolhas que fazemos, a partir dos nossos pensamentos e suas posteriores manifestações, as palavras e as atitudes.

Ao contrariar a lei natural do progresso, que emana do espiritual, abre-se uma porta para o adoecimento, nas manifestações subsequentes, até o corpo físico. Ao resgatar os valores transcendentes do Espírito, manifesto em um corpo material, que é mantido vivo pela emanação espiritual dessa Força Vital, podemos, como preconiza o pai da Homeopatia usar este “instrumento (o corpo) Livre e São, para cumprir com os altos fins da existência”.

¹ Dr. José Roberto Campos de Souza é médico pela Univ. Federal do Paraná, especialista em Homeopatia pelo Conselho Federal de Medicina, Professor em cursos de especialização em Homeopatia e Palestrante nas áreas de Relações Humanas, Liderança e Saúde.